Um destes dias estive na minha limpeza aqui por casa. Esta etapa específica era a trituração de papéis: tipo faturas, contratos ou simples anotações.
No meio disto estava a lista de procura de emprego. Não era uma lista qualquer. Era uma lista de uma jovem adulta, ingénua e perseverante, com um desejo profundo de trabalhar na área da saúde, mais precisamente em laboratório 👩🔬
Pode um papel pesar assim tanto?
Sim. Para mim, um papel tão singelo e leve tornou-se um peso enorme. Emoções e sensações a mil... não só daquele passado, como do futuro que o acompanhou.
Senti durante umas horas que não o podia apenas ver ser triturado. Tinha de fazer um luto… quase que desejava um funeral viking 🔥
Sobre o que era a lista?
Uma lista de potenciais empresas onde podia trabalhar, após ter concluído a licenciatura. Todas a quem tinha enviado carta e/ou email. Ah, e nem incluía as que entreguei em mãos.
Infelizmente (ou felizmente), e apesar das mais de x empresas, poucas responderam e nem uma única entrevista. Ainda recordo da empresa que só me respondia se enviasse por carta e depois deu resposta negativa por email 🥲
E a batalha contra as emoções?
Não foi fácil. Tive de encarar várias etapas:
- sentir que algo foi começado, mas nem ter tido test drive
- a ideia de que pagas… e ainda bufas
- ouvir pessoas a dizer “estudasses” e apetecer aprender a dar bufetadas de diploma
- confiar na saúde, para depois ser o que mais te morde o rabo passado anos
Mas no fim aceito. Eu estou onde estou porque passei pelo que passei. E vou chegar ainda mais longe 😎
E então, como ficamos?
Houve uma situação caricata em que me ligaram passados 6 anos. Escusado será dizer que já mudei de área, e nem me sentia preparada sequer para voltar.
A pessoa que me ligou, óbvio, nem imaginava que já tinha mudado de área, nem tudo o que passei. Mas foi aí, assim como ao olhar para esta lista, que percebi aquele fantasma que me acompanhava.
Por isso, fiz o meu luto, agradeci durante alguns minutos… e apenas deixei ir. 🌬️

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