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A borboleta perdida: como descobri a tiroidite de Hashimoto depois da remoção da tiroide

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Contado, ninguém acredita, já dizia numa das músicas da Ana Bacalhau. E esta foi, e continua a ser, a realidade do que aconteceu comigo até descobrir aquilo a que chamam tiroidite de Hashimoto.


Como descobri que tinha um problema na tiroide

Podia ter sido por análises ao sangue, mas não foi. Hoje, olhando para trás, fico com a sensação de que nunca me teriam chegado a fazer todas as análises necessárias. Por isso, mesmo que houvesse suspeitas, dificilmente teria descoberto assim. 🫠

Passaram-se largos meses, andava eu a ser acompanhada por causa de um quisto de tireoglosso. Olhei para o meu pescoço e dei de caras com um papo gigante e estranho.

Se tivesse de comparar o tamanho, diria que parecia uma daquelas bolas de ténis de praia, mas mais achatada.


Ilustração com uma borboleta, um ponto de interrogação e um coração, numa metáfora sobre a expressão "a borboleta perdida" e a importância de procurar saber mais sobre o nosso corpo.



Porque foi necessária a remoção da tiroide

O endocrinologista que me seguia, pediu logo ecografia e apenas disse "Bem, vamos remover esse papo, mas não se preocupe que quando abrir eu vejo". 

Como qualquer pessoa stressada e, claro, desinformada e que queria o problema resolvido, assinei e lá fui para cirurgia.

Durante uma semana pensei que apenas me tinham retirado aquele inchaço estranho no pescoço. Até chegar a uma consulta comunitária (sim, é mesmo isso, estamos numa sala, quatro pessoas à espera do médico) e este diz:

Vai tomar um comprimido para o resto da vida.

Foi nesse momento que percebi que havia qualquer coisa que eu ainda não tinha compreendido. 


O impacto emocional e físico de uma cirurgia

Para mim, honestamente, mesmo com consentimento senti-me atraiçoada e confusa. Como assim, sem tiroide? Do que raio é que ele estava a falar? Como é que me tinham retirado algo que eu nem sequer tinha chegado a conhecer?

É quase como despedires daquele colega de trabalho com quem nunca falaste, mas cujo trabalho nos bastidores te faz tanta falta, que a sensação que fica é quereres te despedir a ti no momento a seguir... 😮‍💨

Nem tinham passado muitos dias e os sintomas aceleraram: rosácea, perda de um dente, falha de cabelo, insónias, dores, mudanças de humores e hormonas, etc...



As recomendações médicas e a falta de apoio

Vive uma vida normal

Ah, como eu adorava aquelas palavras se fossem reais.

Não tinha energia, tudo era demasiado, aquilo que sentia parecia multiplicado por mil. Sentia o corpo a desistir. Eu a desistir.

A depressão foi o último patamar, um no qual me queriam medicar e eu disse CHEGA. E não falo politicamente.



Como descobri a tiroidite de Hashimoto

Para já devo dizer que eu adoro o Japão, nunca pensei que teria uma doença com um nome tão japonês 🤭

As respostas começaram a surgir apenas alguns anos depois, após pedir os relatórios médicos e tentar perceber o motivo. Somente aí é que descobri a tiroidite de Hashimoto e também o que é sofrer de hipotiroidismo.

Ironicamente, hipotiroidismo foi o que me disseram que iria sofrer durante o resto da vida ao tomar o comprimido... Portanto de solução nem foi nenhuma 🤷🏼‍♀️



O que mudou depois da remoção da tiroide

Olhando para trás, esta é a forma como interpreto tudo o que vivi: para mim, a doença acabou por ser um sinal de que o meu corpo precisava de ajuda. E remover a tiroide não resolveu aquilo que eu sentia. Na minha experiência, foi apenas uma parte da história.

Na minha experiência, retirar a tiroide não fez desaparecer aquilo que estava na origem do problema. Apenas deixou de existir a glândula onde tudo começou para mim. Foi essa a forma como passei a compreender tudo o que aconteceu.


O caminho que continuo a fazer

Em primeiro lugar, não existe um tempo certo ou errado para as coisas acontecerem. Assim como não existe uma doença que escolhe a pessoa, ou uma pessoa que escolhe a doença.

Fui descobrindo respostas, só não nos sítios e nas pessoas que esperamos. No meu caso, procurei no SNS para depois acabar por encontrar o necessário noutras abordagens.

Nem todas as respostas chegaram ao mesmo tempo. E talvez ainda nem tenham chegado todas.

Mas continuo a descobrir pequenas mudanças que fazem diferença na forma como vivo, cuido de mim e observo o meu corpo. 💙


O que gostaria que me tivessem explicado antes da cirurgia

Na altura, senti falta de compreender melhor o papel da tiroide, o impacto que a cirurgia poderia ter no dia a dia e o que significava viver sem esta glândula. Com o tempo percebi que fazer perguntas e procurar informação de qualidade teria tornado esse processo menos confuso.

Durante muito tempo procurei respostas rápidas. Hoje percebo que aquilo de que mais precisava era de compreender melhor o meu próprio corpo.

Perceber que, por vezes, viver melhor começa precisamente quando deixamos de procurar uma solução imediata e passamos a conhecer, com mais calma, o corpo que nos acompanha todos os dias. 💙


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